III.
Fui convidada por um amigo para um feriado de junho em São Tomé das Letras.
Disse-me que levasse uma amiga. Os meninos são assim, aparentemente; planejam
monogamias para sempre, sonhando com orgias. Penso dentre as amigas e percebo
que não são muitas as que topariam uma viagem de supetão com dois homens que
não conhece, passar dias na casa de um deles com mais não-sei-quantos outros
desconhecidos, amigos do amigo do amigo da amiga que a convida. Na verdade, a
fim de registro, são duas, sendo uma delas a amiga da amiga que ia que, tendo
sabido da peleja, disse que queria ir também.
Lá,
o combinadinho
dois-casaizinhos-para-que-todos-os-meninos-se-satisfaçam-com-o-que-é-para-cada-um
é atingido; ela e o amigo do meu amigo se apaixonam e vivem seu caso. Seu.
Eu
vivo, além do meu, minha. Minha vontade de fazer isso ou aquilo. De beber
aquela cachaça curtida com cogumelos, mais aquele conhaque com mel, fumar
aquele baseado, e aquele outro, e aquela cachaça de novo e fazer malabares com
aqueles facões e socar aquele cara.
Ela
quer aquele que "é meu", pela lógica que não nos empenhamos em
questionar. Eu a incentivo, digo-lhe sobre as coisas que gosto e que penso que
ela gostaria.
Por
algum motivo - entre a falta de oportunidade, coragem de abraçá-la, e o
desgostar de seu casinho -, ela não satisfaz seu desejo.
Somos
duas unidades diferentes.