sábado, 25 de maio de 2013

As mulheres da América do Sul ou Marcella.

O voluptuoso é assim mesmo. Cheio dos teus mistérios escondidos em dobrinhas e curvas acentuadas.
Como numa pista sinuosa, o perigo é a emocionante motivante dos passos para frente. Veloz ou vagarosamente, explorá-lo é tarefa gostosa e singular, correndo os dedos singelamente, ou movendo todo teu corpo a galopadas intensas.
O voluptuoso é extra ao ordinário, sem deixar de ser aquilo que mais se nega ser, que é ele mesmo. As curvas do rio assim o são pois do rio são, assim como as dobras da carne só se dobram pois têm (e são) carne. Como podemos viver negando o que é justamente por ser muito de si mesmo?
Prefiro o voluptuoso ao vazio. Os caminhos curvilíneos às linhas claras. Os sorrisos aos cabelos. As mulheres-mulheres (extra de si mesmas) às mulheres-imagem (estéticas da negação).

(Olhando as fotos do The Nu Project...)

terça-feira, 16 de abril de 2013

Aquele retrato que eu nunca consegui fazer.



némesis
(grego némesis, -eos, retribuição, ira devido a injustiça)
s. f.
1. Deusa da vingança. (Com inicial maiúscula.)
2. Acção de retaliação ou de vingança.
3. Pessoa que se vinga ou quer vingança.
4. Adversário ou obstáculo difícil de derrotar.




Ps. Confesso a leve trapaceada. Pintura digital não é, realmente, desenho.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

1.504

-Você pega esse ônibus todo dia?
Uma mão recosta sobre meu ombro direito. Dedos esguios e uma jóia no anelar. Cor de bronze. Da mão, não da jóia.
Balbuciei neandertalmente que sim.
-Demora sempre tudo isso?

O que você quer eu não posso te dar.

Conto de Ponto

Um velho acena-me. Homem. Velho.
Poderia descrevê-lo a vocês. Vestes, feição, trejeito, se canhoto ou destro. É, aprendi a prestar atenção nestes detalhes. Mundo vil hoje esse que vivemos, vil e seco, olho pintas, cicatrizes, cor e marca de vestimenta. Vai que ele me assalta, me seqüestra, ou pior, pergunta-me se vou bem. Dirijo a noite e por vias macabras. São as que mais me dão grana. E de onde tiro clientes menos afetivos, assim corro menos risco de precisar falar que acho dos flanelinhas e trombadinhas vagabundos que enfiam suas mãos sujas pra dentro do meu vidro que já tá limpo, porra! Não sei como nunca vêem, aquelas pragas.
(e suas mães putas que dão tanto que párem em ninhada. Daí largam tudo nas ruas pra trazer dinheiro "pra cumê". Só se "cumê" for gíria de pobre pra se picar. Tudo sempre igual!)