sexta-feira, 20 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Intervenção divina
Acho que Jesus se meteu aqui no meio e inspirou esse daqui. Precisava postar ainda hoje, enquanto está(ou) quente.
--
De repente, um choque.
Segue um calor que dissipa do ponto vermelho perto do seu seio rubro, e ela cai.
O sangue não escorre, e sim sobe (ou desce) pela boca, rosada, suave, macia.
Desgruda das paredes quentes de seu ventre, e faz latejar.
O suor faz sair fumaça, quando se encontra com o sangue quente.
É tudo culpa dele.
Esse choque, ele tão quente, e ela tão fria. Cansada.
É TUDO culpa dele. Ela tão quente...
O vermelho do sangue que subia e descia pela sua boca volta. Ele já não pode mais sair por lá, pois quem agora está lá é ele.
Essa metralhadora.
Dentro da sua boca, quente, firme, macio.
Quando ela diz seu nome, diz: "Um?", quando quer dizer "Am...".
Come algumas letras e coloca tudo junto, pois o sangue já não pode mais sair, e ela está com o espaço quebrado.
Mas nada disso importa. E então, ela diz: "Te quero, Sr. Umbigo."
Rosa (Vermelho)
Não é o melhor escrito, nem o mais sucinto. Mas é um dos mais significativos.
O nome era Vermelho, mas agora que reli, me pareceu muito melhor Rosa.
--
Era feliz onde morava.
Nascera do broto de uma margarida. Assim como todos de lá.
A margarida, tão bela e singela. Tinha toda sua felicidade alí.
Ela era a vida. E a vida era ela.
Não tinha pai nem mãe. Não sentia falta. Nunca soube o que era.
A vida lhe era simples e complicada ao mesmo tempo, como aqui. Mas como se fosse a mais perfeita criatura, tinha todo o tempo para dedicar à essa tão contraditória vida.
Não precisava gastá-la sentindo-se ora feliz ora triste. Ora amado ora abandonado.
Não, não tinha tempo para isso. Na verdade, não sabia como sentir-se assim.
Cultivava sua bela margarida num jardinzinho simples, humilde. Mas ela não pedia mais do que isso.
Viver.
Era só o que ele devia à ela. Sua vida.
Certa vez dormiu ao seu lado. Ela era branca. E foi assim que sonhou. Branco, vazio.
Acabou por se encontrar num lugar esquisito, cheio de gente diferente, que anseiava pela aceitação e companhia de outras mais criaturas esquisitas.
E as margaridas. Oh, pobres margaridas!
Eles as mastigavam com aqueles pés sujos e sem cor, arrancavam-lhes suas pétalas, arrancavam-lhes a vida.
Não sabia o que sentir. Nunca havia sentido na vida.
Mas achava que deveria sentir algo. Não deveria apenas pensar.
Estava errado. Algo estava errado.
Voltou ao branco.
Não sabia mais o que era a vida. Suas vidas eram despedaçadas lá naquele lugar. E ninguém se importava!
Que deveria ser mais importante do que aquelas endeusadas margaridinhas?
Caminhou.
Correu, pensou.
Nada. Nada havia, nada sentia, nada existia.
Ele. Que era ele?
Branco. Vazio. Como sua margarida.
Sem vida, como as margaridas daquele lugar sinistro.
Sentiu-se seco.
Esvaindo-se dele mesmo. Onde estava sua margarida?
Oh! Ficara tempo demais longe. Sua margarida estava se amargurando.
Sua vida, sua pobre, frágil e branca vida estava morrendo e nada ele podia fazer para tornar a alegrá-la.
Estava preso naquele branco. Branco ele era.
Nada podia fazer.
Nada podia ser.
Que fizeram aquelas terríveis criaturas?
Tiraram sua vida.
Tiraram-lhe o único sentimento que jamais aprendera a ter. A compaixão.
Porque não tinham a compaixão?
Quem era aquela gente?
Uma lágrima escorrera.
Sentira.
Sentira aquela fria, cortante, furiosa lágrima.
Uma pétala de sua branca vida caíra.
Morrera. Não mais branco e vazio.
Morrera vermelho. Vermelho raivoso.
Vermelho perigoso.
Vermelho rosa.
domingo, 15 de novembro de 2009
Sonho de uma noite. Sem estação.
Quando se tem tudo isso, e depois mais nada. Qualquer coisa é bem-vinda.
Até uma lambida no pé.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Paralelo
Os vermes dele não se alimentam pois ele não passa de veneno jogado no chão.
A terra, se pudesse, fugia.
Mas ali, em volta daquele corpo, ela grita, em tom de agonia e sofrimento.
O ar daquele lugar não é puro, nem livre. É frígido, rude e também, tenta escapar.
Naquele corpo, os olhos, escuridão, medo.
Os dentes, amarelados, cor de ouro.
A pele, grossa, quente como brasa. Cor de fogo.
Uma história que não tem fim. Não teve começo.
Não é morte, porque não houve vida.
Não é ser, porque não nasceu.
Não é você, nem ninguém.
Sou eu.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Oi?
Eu esqueço das coisas, de provas, de compromissos, de escovar os dentes após todas as refeições. Não estudo, não trabalho e não ligo pros meus amigos mais íntimos, só pra dar um "oi"...
"É normal", eu digo pros outros. "Quando eu conseguir fazer tudo mudar, isso vai mudar junto", eu digo a mim mesma. Essas mudanças, eu digo; Minha casa, meus estudos, meu dinheiro, meus trabalhos, meus relacionamentos, com a família e com os amigos, e com a namorada.
Mas aí, já se passaram alguns anos e alguns meses que isso está assim. Sim, é fato, que com recém feitos 18 anos, não é comum, muito menos fácil conseguir todas essas coisas. Mas, ainda sim, já me tornei muito mais responsável. Mais do que muita fórmulazinha pra uma adolescente 'normal'. Nunca peguei o carro aleatoriamente, nunca entrei em coma alcoólico, nunca usei drogas bizarras, nem fiquei grávida.
Nem mesmo namorei. Nem mesmo repeti de ano, ou fui suspensa!
E olha, eu tenho 18 anos nas costas. Muitas oportunidades já me passaram reto.
Por isso fico nesse dilema. De ser adulta, completamente responsável; ser adolescente, fazer burrada, curtir a vida e meus estudos; de ser um pouco dos dois, e ter os dois notados, e curtidos por mim.
